Marlon Geógrafo



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VOLTANDO A ATIVA...

Escrito por marlongeógrafo às 00h17
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O Buraco do Espelho

O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora




Escrito por marlongeógrafo às 09h58
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MAMAR NO MUNDO

Oh! mamãe,
eu quero é mamar no mundo.
Quero, papai,
saber no fundo.
Negar a boca do pai
para eu mesmo descobrir,
desesperar-me de medo
perante cada segredo
Eu sofro de juventude
essa coisa maldita
que quando está quase pronta
desmorona e se frita.
Negar tudo que é sagrado
para aprender a rezar
entrar no quarto da lua,
vestir a língua da rua.
Eu sofro de juventude (etc.)
(TOM ZÉ)



Escrito por marlongeógrafo às 11h57
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No espelho

Às vezes quando me olho no espelho
Sinto medo. Medo de mim.
Eu não me conheço
Sou esquisito, sou humano
Uso óculos, como, bebo, fumo
Defeco
Mijo
Olho-me no espelho
E esse dá-me de volta quem sou.
Eu rio. Alto.

Assustado e engraçado
Duas longas coisas saindo do corpo:
São braços, pêlos, peles, nariz pontiagudo
Duas orelhas presas na cabeça
Olho os dedos.

Meus olhos me assustam
Falo, sinto emoções e tomo cerveja
Ridícula coisa ali em pé frente ao espelho
Eu me vejo de fora.
Faço abstração mental de que eu nunca vi
Um ser humano e me vejo.

É esquisito.
É realmente esquisito.

Procuro-me no espelho
E não me acho. Só vejo aquilo ali.
Parado. Um monte de carnes equilibradas
por ossos duros que me mantêm em pé.
Ali.
No espelho. Eu sei que não sou aquilo
E o que eu sou, o espelho não pode
me mostrar...

AINDA... eu não brilho...
Ainda...

(Raul Seixas)

Escrito por marlongeógrafo às 18h38
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Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Fernando Pessoa

Escrito por marlongeógrafo às 18h29
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Felicidade



A felicidade é a nossa força motriz. É ela que impulsiona alguém a querer viver ou não. Uma pessoa que se considera infeliz não vê motivos para viver, sonhar, fazer planos e ter objetivos de vida. Ela pára no tempo.

Devemos sempre lembrar também que para sermos felizes precisamos contribuir para a felicidade dos outros, pois a felicidade não é egoísta, ela se importa com os que estão ao redor. Ela se prontifica a ajudar aos outros a serem felizes, e não simplesmente a terem momentos de regozijo ou prazer.

Escrito por marlongeógrafo às 15h55
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Escravos da terra (RAUL SEIXAS)

A Terra deu tudo para o homem
água limpa , ar puro e alimentação
e chuvas que molhavam qualquer plantação
o mundo inteiro vivia em harmonia
a natureza perfeita, dia após dia
pintou o homem com o fogo na mão
criou carros , represas e armas de destruição
lá foi o ar e a água, contaminação
A Terra sabia transar com o homem
e agora os homens só podem ser

Escravos da Terra
para sobreviver
escravos da Terra
senão a terra vai botar pra foder



Escrito por marlongeógrafo às 16h17
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